EXTASE

 

 


Amar-te e querer-te.
Este é o meu mais supremo desejo.
São vagos
delírios de posse e arrebatamento.
Esta sôfrega paixão que por um
momento,
traiu-me sem perdão.
Meu olhar perdido em ti,
flagrou-me
hipnotizada em teus meneios,
olhando-te, movendo-se com uma
agilidade estonteante.
Teu olhar divagando, e tuas mãos, o corpo
tocando,
com tal doçura e leveza que, em êxtase,
a este proibido
sentimento entreguei-me.
Este frio, este tremor, este arrepio,
que
minha atormentada alma, sozinha, 
gemia além do esperado.
Em meio
à multidão,
em meu fervoroso pensamento,
estavas tu, ali,
presente.
E, no tilintar de partidos corações,
estava o meu, entre
os seios pudentes,
repletos de desejos ardentes e segredos
inocentes.
E, ao longe, abria-se a várzea enegrecida, tímida e
nebulosa,
a espreitar a lúgubre noite.
Dentro de mim, vozes
ecoavam sóbrias e tristes.
Insanos sorrisos disfarçavam o pranto
vertido,
Pois, já não eras parte de mim.

(JACI LEAL SANTANA)

DESPEDIDA

Despedida

                 

Por mim, e por vós, e por mais aquilo

que está onde as outras coisas nunca estão,

deixo o mar bravo e o céu tranquilo:

quero solidão.

 

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.

E como o conheces? — me perguntarão.

— Por não ter palavras, por não ter imagens.

Nenhum inimigo e nenhum irmão.

 

Que procuras? — Tudo. Que desejas? — Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.

Não ando perdida, mas desencontrada.

Levo o meu rumo na minha mão.

 

A memória voou da minha fronte.

Voou meu amor, minha imaginação…

Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estarão?

 

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!

Estandarte triste de uma estranha guerra…)

 

Quero solidão.

 

                            Cecília Meireles

SOZINHOS!!!

E DEUS DISSE:
NÃO E´BOM QUE O HOMEM VIVA SO´….
MAS, A CONSIDERAÇÃO OU PONDERAÇÃO, VEIO TARDE DEMAIS…
O SER HUMANO PARECE ESTAR SO´DURANTE TODO TEMPO!!
TALVEZ SEJA NOSSA MESQUINHEZ…A NOSSA PRETENSA AUTO SUFICIENCIA,
A NOSSA PSEUDO SABEDORIA…
TUDO CONCORRE PARA QUE SEJAMOS SOS…
DIZEM QUE TALVEZ NÃO ESTEJAMOS SOS NO UNIVERSO!!!
MAS, PARA QUE IR TÃO LONGE…ESTAMOS SOS DENTRO DE NOS MESMOS…
 
(DEMATOS)

amar–florbela espanca (carinho de um amigo)

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… para me encontrar.

(Florbela Espanca)

 

nãote esqueci

 

Não, não me esqueci de ti… Não esqueci os teus beijos, Abraços que denunciavam Os nossos desejos! Não esqueci o teu terno olhar Nem o teu sorriso ao despertar, Não esqueci um único nosso momento, Nem os nossos passeios ao vento! O vento soprava, A minha mão na tua tocava, Ao fundo uma viola chamava A minha voz e ela cantava! Não… nunca te esqueci… Não esqueço aquela manhã fria Quando ao acordar Pela porta entraste E um beijo me foste dar… Era tao grande A alegria que contigo sentia!!! Não te esqueci… Nunca esqueci… Juro, nunca esquecerei Mas … Desta vez saí de vez, Não desapareci Nem te esqueci Apenas me despedi… Com tanto amor Que te tenho, Para sempre … *** Saudade **

* (irina)

traduzir-se

TRADUZIR-SE

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
 
Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
 
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
 
Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

FENIX DA VIDA E DO AMOR

Dentro de uma poesia

Chamada vida

Coloquei versos de felicidade

Fiz de cada estrofe uma rima de amor

Joguei no mar de aventuras que naveguei…

 

Gritei de alegria

Quando ela quis me sufocar de tristezas

 

Do meu sorriso

Construí quimeras

Minhas e tuas

Abracei-as com toda sensibilidade

De minh’alma e assim nascera a poetisa em mim

 

De um desejo pleno na alma

Uma terra habitada por uma mulher incomum

Transeuntes de sentimentos passaram

Deixaram beijos e sabor de sexo no meu corpo

Mas nela nunca habitaram ante as tempestades

Que dela aflora em vícios de um alicerce imperfeito

 

Por vezes são intensos redemoinhos

Mas sou a própria fênix

Guerreira invencível dos campos de batalha

Jamais me entrego e renasço

Cada vez mais forte para suportar

Outras guerras que hão de vir…

 

A vida é o sangue que escorre das minhas veias

Somente quando ele todo escorrer

É que serei uma alma livre

Terei alcançado a paz do meu espírito de luz

 

O amor talvez não me pertença

Porque sou o próprio amor

Sou o bastante para aqueles

Que são incapazes de senti-lo

Em minha essência e se embriagarem

De um forte perfume de Mulher!

 

Reconstruirei de cada escombro

Um novo alicerce capaz de sustentar

Essa vida e seus percalços

E me alimentarei de uma linda poesia

Chamada amor maior que o meu

 

E um dia serei somente guia

Na estrada dos guerreiros

Até que possamos estar no mesmo plano

De felicidade etérea…

 

 

Autor(a): Regilene Rodrigues Neves

NOSSA POESIA

Nossa Poesia
Avany Morais

Tudo na vida é feito de momentos.
De instantes únicos,
que nem sempre sabemos aproveitar.
Tivemos momentos únicos…
Só nossos…
vividos a dois,
manifestado por nossas almas…
Tivemos nossos momentos poéticos,
onde nossa poesia,
refletia o nosso amor…
A nossa alma pura, límpida…
Nossos sentimentos…
Nossos pensamentos
estavam sempre em sintonia.
Foram momentos rememoráveis
na nossa história de amor.
Mas, somente um momento ficou.
Marcou para sempre as nossas vidas.
Mas, como tudo na vida,
este também foi um momento…
Único… Mas, um momento.
Destes que ficam eternizados…
Trancados no relógio do tempo…
Escondidos na poeira dos séculos.
Do tempo vivido…
Quando juntos ainda conjugávamos o verbo amar…
Quando juntos sabíamos o que era poetar…
Quando ainda conseguíamos,
traduzir sentimento através de palavras,
transformando-o em alimento
necessário para o nosso existir…
Quando sentíamos nossas almas saltitando
como crianças em dias de festa…
Quando fitávamos olho no olho,
e nada mais havia ao nosso redor,
que não fosse o nosso amor.
Amor que em nossas poesias,
tinha uma magia tão grande,
que inundava os carações
dos que atenciosamente nos ouvia.
Foi um momento amor, mas passou.
Durou o tempo necessário
para se tornar eterno.
No palco da vida, o espetáculo terminou.
Fecharam-se as cortinas…
Cessaram-se os aplausos…
Imperou-se o silêncio…
Acabou-se a platéia.
Tudo ficou na página que virou.
Dos olhos, apagou-se o brilho…
Cegou-se a retina…
A distância tornou-se cada vez mais distante.
Nada será como antes… Nada mais restará…
Apenas a nossa poesia.
Esta permanecerá.
Ficará para sempre gravada
a ferro e fogo em nossas almas,
como símbolo do que no passado ficou
e do amor que dormirá,
até outra vida chegar.

BellaPoetisa

RETALHOS DA NOSSA POESIA

RETALHOS DA NOSSA POESIA
Joaquim Marques

Cruzaste-te comigo na estrada da vida…
Nossos olhos, se fixaram, ali… frente a frente;
neles, eu vi de maneira bem transparente,
o quanto me querias dizer… Minha querida.

Seguimos, os dois, caminhando lado a lado.
Vagabundos do mundo… Rumo incerto…
Acabamos por dar com um oásis no deserto,
onde podemos recordar coisas… Do passado.

Nesse oásis, saciamos nossos desejos…
Em laços e abraços trocamos nossos beijos…
E, em seguida, nos despedimos para sempre.

Cada um seguiu seu caminho… Rumo incerto…
Hoje, te vejo em miragem, sumindo entre as dunas,
ficando sós, nossas pegadas, nas areias do deserto…

Portugal