UM POUCO DE…PABLO NERUDA!!

Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.

Pablo Neruda

 

 

 

A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora – pão,
vinho, amor e cólera – te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda

 

 

 

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda

 

 

 

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.
Gira a noite sobre suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido…
Nenhuma mais, amor, dormira com meus sonhos…
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.
sempre viva. sempre sol… sempre lua…
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo…
teus olhos se fecharam como

duas asas cinzas, enquanto eu sigo a água
que levas e me leva.
A noite… o mundo… o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho…

Pablo Neruda

 

 

 

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

 

 

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PEDOFILIA (entrada de blog do meu amigo EDUARDO CHAVES)

Pedofilia entre padres
Voltou ao noticiário, aparentemente com maior intensidade do que da última vez, a questão da pedofilia entre sacerdotes católicos romanos. Respingos dos escândalos andam  beirando até a família de Sua Santidade num colégio interno católico dirigido por um irmão do Papa na Alemanha. Li na VEJA da semana passada a história de um padre de 82 anos com seu coroinha de 20 – aqui no Brasil. A coisa está feia.
Fico me perguntando o seguinte: por que as quebras do voto de castidade dos sacerdotes católicos parece acontecer, em regra, com pessoas do mesmo sexo, e bem mais jovens – em alguns casos, meninos, mesmo? Pastores protestantes e sacerdotes de outras igrejas de vez em quando se envolvem escândalos sexuais – mas raramente o fazem com pessoas do sexo masculino e quase nunca com crianças. O que explica essa preferência dos sacerdotes católicos por meninos, muitos deles coroinhas?
Que fique claro: no caso dos sacerdotes católicos não se trata de mero “escândalo sexual” a ser punido com uma providência burocrático-administrativa, de nível meramente interno. Trata-se predominantemente de pedofilia, que é crime – e pedofilia homossexual. (O fato de ser homossexual não agrava o crime, mas nos ajuda a entender o fenômeno).
Tenho uma conjetura.
Em primeiro lugar, o seminarista, futuro padre, é desde cedo doutrinado a ver na mulher a fonte número um do pecado. Como ele vai ser celibatário, a mulher é a tentação que ele deve evitar a todo custo. A mulher é, para ele, o que a serpente foi para Eva, na história da queda.  A doutrina do celibato clerical, assim, começa a afetar o futuro padre muito antes de ele efetivamente fazer os seus votos (dos quais o de castidade parece ser o mais difícil).
Em segundo lugar, trancafiam o futuro padre, em muitos casos desde os dez anos (início da quinta série) em um Seminário Menor, onde ele fica segregado de mulheres: só vê guris mais ou menos da sua idade. Internatos unissex parece que foram bolados para gerar, nos adolescentes, interesse pelo mesmo sexo. Numa época em que o instinto sexual está aflorando e se tornando a preocupação número um-dois-e-três do adolescente, ele é apartado da convivência com o século oposto e confinado à convivência com homopares. Acaba ficando fixado em menino. Sua curiosidade pelo sexo só pode ser satisfeita pelos colegas.
Em terceiro lugar, quando vai exercer o sacerdócio, o padre acaba ficando rodeado de coroinhas que o admiram e que olham para ele como figura de autoridade. E ele, por outro lado, pela sua doutrinação é condicionado a fugir das mulheres e pela sua formação em internato unissex foi condicionado a se interessar por meninos… Sendo figura de autoridade, não tem muita dificuldade em convencer os meninos de que sexo (em alguma modalidade) com o sacerdote é parte de seus deveres. (O que mais pode levar um coroinha de vinte a se engajar em atividade sexual com um sacerdote de 82?)
Esse conjunto de fatores acaba produzindo essa série aparentemente infindável de casos de pedofilia homossexual entre padres católicos. Não se trata, como já disse, de meros escândalos sexuais em relação aos quais se possa dizer: “Sou culpado, mas que igreja pode dizer que não é?” Trata-se de um fenômeno tipicamente católico que não adianta tentar generalizar.
Se minha conjetura faz sentido, a solução, evidentemente, é tripla: que a Igreja Católica acabe com o celibato clerical, acabe com a formação para o sacerdócio em internatos unissex, e acabe com as figuras de coroinhas e outros meninos que ficam rodeando a sacristia. 
Estudei em um internato (protestante) durante meu curso Clássico. Mas não era unissex. Era misto. Nunca tive conhecimento de colegas que tivessem se interessado por colegas do mesmo sexo. A regra era que se interessassem pelas meninas. E se interessavam bastante.
Que fique claro que não considero o homossexualismo um pecado, muito menos um crime. Nada tenho contra quem faz a opção por exercer sua sexualidade com pessoas do mesmo sexo. Mas a pedofilia, sim, é crime. Crime que, no caso dos padres, é agravado pelo fato de o padre estar em posição de autoridade em relação aos meninos dos quais abusa. A Igreja Católica não pode continuar a tratar a pedofilia sacerdotal com a leniência de sempre: uma reprimanda, uma mudança de paróquia, etc. Não se trata de um pecadilho: trata-se de um crime muito sério.
O problema exige soluções mais drásticas. 
eduardo chaves.

mar

Sou filha de um oceano por inventar
Onde a beleza dos versos são o mar
E as palavras o vento que me conduz
Sou barco que navega à luz da lua
Faço das rimas a minha própria rua
Na onda de um poema que me seduz

Fui eu, que um dia naufraguei
Em versos que escrevi e não gostei
E que hoje os tento recuperar
Fui eu que me tornei intemporal
E escrevo neste imenso areal
Palavras que alimentam este mar

Sou filha de um oceano por inventar
Nascida nas correntes deste mar
Onde as mensagens flutuam dentro de mim
Ofereço poesia no meu cais
Meu barco é de sentimentos originais
Ancorado neste oceano que nasce em mim.

por Paula Martins

VENHA

VENHA.

Venha quando apenas o vento se fizer ouvir

Venha sem aviso, venha sem pedir licença

Rasque-me as veste

Solte-me o cabelo

Cheire-me gostoso

Veja-me sem medo

Mas que seja curioso

 

Quero que venhas com o vento

No meio da noite

Quando as estrelas adormecerem

Quero  que durmas em meu corpo

Envolvendo-me num abraço

E sem esconder o gosto

Beije-me longamente

Quero que sussurres 

Palavras de ardor

 

Quero que chegues com o vento

Quando o silencio chegar

Que me cubras de beijos

E me satisfaça o desejo

Que me envolva em sonhos

Carregue-me nos braços

E apague os temores

Desse meu corpo amante

 

Quero ficar com você

Nessa noite de lua

Com barulho de ventos

Entre sono de estrelas

 

Quero ficar em teus braços

Encontrar-te no desejo

Perder-me nos seus beijos

Carregar-te em meus sonhos

 

Quero no barulho  do vento

Na calada da noite

Dominar-te em silencio

Para conter o meu medo

Das estrelas não acordarem

E te amarem primeiro.

.

(Sonia Santos – Março/2002)

ETERNAMENTE

Quero
Seu sorriso mais gostoso
Seu beijo mais saboroso
Ser a musa de suas
Composições.

Quero
Ser seu desejo mais ousado
Ser seu sabor preferido
Ser a dona de suas
Melhores sensações.

Quero
Ser a estrela da sua noite
Ser a luz do seu caminho
Ser a fonte de sua
Inspiração.

Quero
Ser a água que mata sua sede
Ser seu melhor presente
Ser sua, simplesmente,
Eternamente.
(Sirlei L. Passolongo)