….ATE UM DIA….QUEM SABE….

"…ATÉ UM DIA QUEM SABE…"

Abri a ternura e transbordei carinhos,
Perpetuei em presentes folias de sensações,
Tua presença de homem invadiu meu caminho,
Te transformei em paixão,
Mas foi tudo ilusão que me dei,
Não queres de fato a leveza de minha alegria felina,
Estou triste com a minha partida,
Enxerguei ela indo embora outro dia,

Ficamos encaixados boca a boca,
Abraços a abraços,
Fui lúbrica, fui amante, fui romã,
Soletrei fetiches,
Toquei com meus dedos teu universo solitário,
Te trouxe paraíso e te mostrei  minha dança,
Brinquei de vadia, fui rameira, fui puro coração,
Mas acima de tudo te trouxe melodia,
Direita, esquerda, sem pressa, bem devagar…
Olha lá…Fui…

Teu silêncio passeou nas minhas avenidas,
Teus movimentos não foram suavemente carinhosos,
Não escutastes os sons da paixão funda,
Não sentistes o verbo,
Não encontrastes o lugar do segredo,
Meu lugar preferido,
O gozo e a pulsação,
Desejos merecendo línguas,
Acariciando, despindo, e agora…
Me despeço de teu dia a dia,

Devoro as regras impostas,
É pra poder declamar versos de vida,
Meus olhos se excitam com o transe,
O verdadeiro da paixão,
Amo o clímax da união,
Romance e sedução, conversa respirando poesia,
Não encontrastes comigo,
Me avisou que chegarias,
Fui ao teu encontro,
Porém desaparecestes diante de minha febre,
Aos pés de minha poesia,

Meu teatro te agride,
Minhas maneiras te oprimem,
Minhas coxas te alucinam,
Mas a minha luz te cega,
Meus flashes te crucificam,
Espartilho, cinta-liga,
Festa, música e requinte,
Tudo isso te assusta,
Preferes ervilha sem poses,
Camisolas de flanela,
Sem pinturas ou champanhes,
Então estou indo…

Meu casulo é desenho com gosto e cheiro,
Que pena que não percebestes o colar de diamantes,
Seria o maior tesouro…
Todos os dias o ritmo incandescente,
Poderias saborear o recheio explosivo do toque suave,
Perceber o celestial unido ao mundano,
Mas tua paixão não é visceral,
Nem santa e muito menos profana,
Não conheces o maremoto súbito que emana,
Não quer viver cachoeiras nem fontes,
Se ajoelhar jamais…
Assim terias que aprender a rezar,
Irias ter que fazer as pazes com a malícia,
Viver assim é perigoso demais pra ti,
Presentear a vida com o milagre,
Mas tens medo de te apaixonar,
Perceba a minha quietude no meu caminhar,
Minhas lágrimas inundam meu despertar,
Até um dia quem sabe…

 
 
Márcia Valéria
Publicado no Recanto das Letras em 28/07/2008

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